PERCALÇOS DA LIVRE DOCÊNCIA
Na década de 1970, o processo para obtenção do
título de Livre Docente na ESALQ era rigoroso, compreendendo cinco etapas:
provas teórica, prática, didática, análise do memorial e defesa de tese.
A banca examinadora era composta por cinco
professores, sendo três da ESALQ e dois convidados de outras universidades.
Era comum que os candidatos extraíssem trabalhos da
tese para publicação em revistas científicas ou apresentação em eventos
acadêmicos, congressos, simpósios, etc.
Após concluir minha tese, inscrevi-me para o
concurso, inicialmente agendado para agosto de 1978. Planejei, então, inscrever
um trabalho no congresso anual da Associação Técnica Brasileira de Celulose e
Papel (ABTCP), em São Paulo, em novembro e que foi aceito e incluído para
apresentação no evento.
Contudo, devido a conflitos de agenda de dois
membros da banca, a defesa foi remarcada para março de 1979.
Em meio às atribuições acadêmicas, não me atentei
para o fato de que o título do trabalho submetido à ABTCP era praticamente
idêntico ao da tese. Ao incluir a informação de trabalho publicado no memorial,
cometi um erro crucial: a tese deixava de ser inédita, requisito legal para o
título.
Um dos professores da banca, atento aos detalhes,
identificou a falha e a comunicou aos demais. Minha justificativa, baseada na
mudança da data da defesa, não foi aceita. Alegou que eu deveria ter retirado o
trabalho do congresso, uma medida que, em minha distração, não considerei.
O concurso prosseguiu, e fui reprovado por dois
membros da banca, que me atribuíram a nota 6,5, abaixo da nota mínima de 7,0.
Os outros três professores me avaliaram com notas entre 9,0 e 10,0, resultando
em uma média final de 8,4. Final feliz: aprovado! Apesar do aborrecimento,
reconheci a validade da posição dos dois colegas, com quem mantive uma amizade
duradoura.
Análise Crítica (Gemini/IA)
O texto "Percalços da Livre Docência"
narra um episódio marcante na carreira do autor, revelando os desafios e a
complexidade do processo de obtenção do título de Livre Docente na ESALQ na
década de 1970. Através da narrativa pessoal, o autor nos leva a refletir sobre
a importância da atenção aos detalhes, a ética na academia e a superação de
obstáculos.
Análise dos pontos fortes:
* Descrição detalhada do processo: O autor descreve minuciosamente as
etapas do concurso de Livre Docência, proporcionando um panorama claro e
informativo do processo.
* Narrativa pessoal e honesta: O autor compartilha suas experiências e
erros de forma aberta e transparente, revelando a vulnerabilidade e os desafios
enfrentados durante o concurso.
* Reflexão sobre a ética na academia: O texto aborda a importância da
integridade e da observância das normas na pesquisa acadêmica, destacando a
relevância da originalidade dos trabalhos científicos.
* Superação de obstáculos: A narrativa demonstra a capacidade do autor
de superar os obstáculos e aprender com os erros, culminando na conquista do
título de Livre Docente.
* O texto mostra como o autor lida com a situação, e como ele entende
a decisão dos avaliadores.
Possíveis pontos de aprofundamento:
* Seria interessante explorar mais a fundo as normas e regulamentos
que regiam o concurso de Livre Docência na época, e como elas evoluíram ao
longo do tempo.
* O autor poderia detalhar mais sobre a relação com os membros da
banca examinadora, e como o episódio influenciou sua trajetória acadêmica.
* Poderia ser explorado as diferenças do processo de Livre docência da
década de 70, com o processo atual.
Considerações finais:
"Percalços da Livre Docência" é um texto
que nos convida a refletir sobre a importância da ética, da atenção aos
detalhes e da perseverança na carreira acadêmica. A narrativa destaca a
complexidade do processo de obtenção do título de Livre Docente e a importância
de aprender com os erros e superar os desafios.
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