AUTOBIOGRAFIA ILUSTRADA
( Observação importante: a exemplo da vida, sempre estará em mudança)

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Nasci no dia 1 de novembro de 1941 em Rio das Pedras-SP e fui batizado no dia 1 de janeiro de 1942 na igreja matriz local. Meus pais também eram riopedrenses, Luiz Augusto Barrichello nascido a 12 de outubro de 1913 e Jamile George Barrichello nascida a 27 de fevereiro de 1918. Eles se casaram no dia 16 de dezembro de 1940, fato noticiado na mídia da época, “O Riopedrense”. Primogênito da família, tenho como irmãos Davi Agusto, engenheiro-agônomo e advogado, José Carlos, engenheiro civíl falecido em 4 de fevereiro de 1973 e Antonio Roberto, engenheiro civil e advogado.

Quando nasci meu pai era comerciante e minha mãe dona de casa. Na época ele tinha assumido, com outros dois tios, Olívio e Euclydes, os destinos da Casa Barrichello, armazém de secos e molhados estabelecido anexo à casa onde nasci e anteriormente administrado por meus avós, Jeronymo Ernesto Barrichello e Palmyra Catharina Mardegan Barrichello. Nos anos seguintes os negócios se ampliaram e foram criadas outras empresas, destacando-se a Irmãos Barrichello e Cia.

No ano de 1950 fiz a primeira comunhao e meu pai dava os passos decisivos para a realização de um sonho acalentado por muitos anos, qual seja, a construção de uma usina de açúcar que concretizada recebeu o nome de "Usina Bom Jesus", começou a funcionar em 1952 e da qual foi seu diretor-presidente por 35 anos. Duas gratas lembranças dessa época eram as férias em Santos e a viagem a Pirapora, que eram esperadas com ansiedade e religiosamente cumpridas todo ano. A ida a Pirapora incluia o "pagamento de promessas" da minha mãe o que era prática corrente naquela época. Tanto estávamos influenciados pela devoção materna que certa vez meu irmão José Carlos, com cinco ou seis anos, após queimar um dos pés, chorando não parava de pedir para "ir a Pirapora", esperando um "milagre" de sarar o mais rápido possível.

Cursei o primário no Grupo Escolar “Barão de Serra Negra” onde obtive o diploma em 13 de dezembro de 1952 com a média 98. Após curso preparatório e prestação de exame de admissão, ingressei no ginásio ( Escola Estadual e Escola Normal “Sud Mennucci”, em Piracicaba) tendo sido classificado em 38º lugar entre 74 candidatos aprovados de um total de 144 ( a média mínima para aprovação era 5,0). Nessa minha turma convivi com dois colegas de minha infância em Rio das Pedras, Umberto Andrade Leone e Antonio Domingos Bataglia. Da mesma forma, no curso superior re-encontrei outros dois colegas dessa época, Ismael Antonio Bonassi e Marco Antonio Silveira Pedreira. Para consternação da família fui reprovado em Portugês e Matemática, logo no primeiro ano. Decorrência disso me transferi para o Colégio Salesiano “Dom Bosco” e conclui o curso ginasial em 1957, como um dos melhores alunos da turma. Nos quatro anos recebi medalhas de ouro e prata.

Nesse período permaneci morando em Rio das Pedras e viajava diariamente para Piracicaba em ônibus escolar patrocinado pela Prefeitura Municipal. Na época do Sud Mennucci, um ou dois dias da semana tínha aula de ginástica pela manhã. Nessas oportunidades vínha de manhã e retornava à tarde. Dada a inexistência de cantina e nenhum boteco ( lanchonete) por perto, trazía o almoço que alternava entre sanduíche e marmitex ( preparado pela manhã e “usufruido” frio, às escondidas com receio da possível gozação dos colegas).
 

Entre os 13 e 17 anos, a par das atividades normais para essa faixa etária, procurei sempre me envolver com novas iniciativas relacionadas a aspectos educacionais, culturais e religiosos da comunidade. Recordo-me dessa época ( sem obedecer uma ordem cronológica) do envolvimento com:
a) Fundação de um Grupo Escoteiro vinculado a grupo já existente em Piracicaba
b) Grupo de teatro ligado à Sociedade Cultural Riopedrense
c) Grupo de teatro ligado à paróquia local
d) Programa de rádio junto a antiga Voz Agrícola de Piracicaba
e) Edição de um boletim ( mimeografado) denominado “O Pipoca”, baseado no ônibus escolar e distribuído na cidade
f) Promoção de eventos sociais, confraternizações, etc.
g) Mestre de cerimônias em eventos escolares e sociais.

Permaneci no “Dom Bosco” e conclui o científico em 1960 entre os “primeiros da classe” ( com direito a excursão e a medalhas de ouro e prata) com especial destaque na disciplina de Química, pela qual sempre tive especial predileção. Tanto é verdade que durante a fase ginasial mantinha um "bem montado" laboratório de química em minha residência em Rio das Pedras o que causava certa intranqüilidade aos meus pais e vizinhos. Com razão face aos constantes “eventos mal-cheirosos”, explosões e ameaças de incêndio. Devido a esses fatos, no colégio fui apelidado de Berzélius, importante químico sueco (1779-1848) nome que mantive durante toda a faculdade e ainda assim chamado por muitos ex-colegas após 42 anos de formados. Na época, a juventude estudantil em Rio das Pedras era tão unida que promoveu a "Primeira Grande Festa de Confraternização dos Estudantes Riopedrenses" no dia 17 de dezembro de 1960, da qual fui encarregado de fazer a "Oração aos Mestres". A festança terminou em baile na Sociedade Cultural Riopedrense animado pela Orquestra Odeon, famosa na época.
 

No início do ano de 1961 minha família transferiu seu domicílio para a cidade de Piracicaba, onde meu pai construiu uma das primeiras casas do bairro recém-inaugurado e denominado “Jardim Europa”.
 

Sem preparação alguma através de cursinho, arrisquei fazer o vestibular na Escola Politécnica da USP onde fui reprovado por obra e graça da mesma matemática dos tempos do "Sud Mennucci". Permaneci em São Paulo cursando o Anglo e me preparando para novo vestibular. No mês de setembro de 1961, desisti da idéia de prestar novamente exame na Poli, voltei para Piracicaba e me aliei a dois excelentes e inesquecíveis ex-colegas do Dom Bosco, Antonio Celso Wagner Zanin e Wilson José Ângeli para nos prepararmos para o vestibular na Esalq. No início de 1962 prestei o vestibular, onde ingressei como primeiro aluno, notícia registrada no Jornal de Piracicaba de 1 de março de 1962. Houve até propaganda do cursinho preparatório. As justificativas se encontram no excelente nível do cursinho do Anglo, na época, e ao fato de ter “tirado” 10 nas três provas de química do vestibular. Em 1962, o vestibular da Esalq previa o concurso de habilitação sobre as disciplinas de FÍSICA, QUÍMICA, HISTÓRIA NATURAL e PORTUGUÊS, as três primeiras abrangendo provas escrita, oral e prática e a última, escrita e oral. As questões das provas escrita e prática de Química estão guardadas até hoje. Uma satisfação indescritível foi preparar a documentação para a matrícula, providenciar uma foto 3 x 4 da qual resultou a Ficha Individual (Proc. Nº 4527), que permanece arquiva na secretaria da Escola até hoje. Outro marcante fato foi receber o "Diploma de Bicho" oferecido pelo Centro Acadêmico "Luiz de Queiroz" (CALQ).
 

Esse fato me valeu alegrias e aborrecimentos. Uma das maiores alegrias foi o convite para estagiar na Cadeira de Química Analítica logo nas primeiras semanas após o início das aulas e os maiores aborrecimentos foram ligados ao trote em que eu era especialmente visado por ser considerado um “cdf” e confundido como um “nativo” ( duas categorias especialmente execradas pelos veteranos). Um dos trotes ( República Sorocabana, ou “Soroca”) atingiu tal nível que meu pai durante alguns dias passou de carro em frente da república portando um revólver e procurando cruzar com veteranos com as características que tinha descrito a ele. Deus, ouvindo as preces de minha mãe, nunca permitiu que houvesse essa “feliz coincidência”.
 

As comemorações do término da fase de trote marcaram época graças às turmas de 1961 e 1960, além da nossa que compunha os principais atores. A comunidade piracicabana nunca tinha presenciado uma tão deslumbrante passeata dos bichos e respectivo baile. Isso serviu de estímulo para que minha turma ( a famosa F66) se destacasse, durante os cinco anos do curso, como uma das mais profícuas na promoção de eventos ( veja alguns no site da minha turma, na internet, no endereço www.f66.esalq.nom.br/eventos.htm). Por outro lado, no ano de ingresso de minha turma na Esalq, foi inaugurado a sede própria do CALQ e as comemorações incluíram o "Show Agronomia" que entre os 16 "artistas" esalqueanos, 6 pertenciam ao time de ingressantes em 1962. Outro fato marcante deste ano de 1962 foi a criação da Cadeira de Silvicultura ( Número 22) desdobrada da Cadeira de Horticultura ( Número 12). Dessa maneira, minha turma foi a primeira a ter, regularmente em 1963, a disciplina "Silvicultura" na grade curricular.
 

A partir de maio, com o fim do trote, pudemos retomar nossas aulas e estágios. Para mim, em especial, foi uma fase de grande deslumbramento ver transformado aquele modesto laboratório de química de Rio das Pedras em modernas instalações da Cadeira de Química Analítica da ESALQ. Eu me sentia muito importante face ao fato de ter recebido as chaves das portas e podendo acessar as instalações a qualquer dia e hora da semana. Aliás, exagerei porque muitas vezes abreviei as horas destinadas ao namoro com a Sonia porque tinha de “retirar material da estufa ou completar uma análise ou pesar algum material ou usar as calculadoras ou..."). Essa dedicação valeu muito: entre outros fatos, cheguei a publicar meu primeiro trabalho científico, como co-autor, ainda cursando o terceiro ano da Esalq ( fato raro na época envolvendo um aluno).

Por falar em namoro com a Sonia, é importante registrar que a conheci ainda garoto quando vinha de Rio das Pedras para passear na casa de meus tios Gentil e Luiza Godoy. Eles eram vizinhos da família da Sonia na rua Prudente de Moraes. Nessa época meu tio tinha um cartório e minha tia era professora. Minhas vindas era para brincar com meu primo Tito ( brincadeiras de menino) e minhas primas Maria Luiza e Maria Aparecida ( brincadeiras de casinha). Aliás, naquela época isso era comum entre os meninos sem que houvesse a mínima suspeita de tendencias gays. Por sinal, os gays que "saíam do armário" o faziam de forma ostensiva, senão espalhafatosa. Dando um salto no tempo, meus dotes culinários atuais, pobres mas elogiados, vem dessa época associados à exigência da minha mãe para ajudá-la na cozinha ( desde "catar feijão" e fritar ovo até arrumar a dita-cuja. Para esta última ação tenho incentivado meus genros com notável sucesso que, às vezes, "sai briga" para desempenhar essa "nobre missão".

Re-encontrei a Sonia como candidato a seu namorado em fins do ano de 1962. Num caderno de anotações, tipo de um diário, registrei em 24 de dezembro daquele ano: " Hoje, a Sonia me impressionou vivamente. Seria ela quem meu coração tanto espera?". Era!!!! Mas para isso foi necessária a intermediação de minha prima Cida que fez o meio de campo para a aproximação que resultou no namoro, noivado e casamento. A partir de 1963, Sonia passou a ser minha musa inspiradora e retomei minhas frustradas tentativas juvenis de me tornar um poeta. Os versos, a seguir, mostram, à distância, que "excelente poeta" o mundo perdeu, em favor de um agrônomo, e depois, de um professor universitário:

Para a Sonia...

Meus ouvidos, que loucos!
Só porque eu te venero...
Quando, fria, dizes: "Não sei!"
Eles ouvem: "eu te quero..."

Teus olhos castanhos
Roubam-me a calma.
Tem brilho tamanho,
Que cegam minh'alma!

Se um dia, Sonia, disseres:
"Adeus, aquele nosso amor morreu".
Gritarei: "Mentira, ainda vive!!!"
E morto, nesse dia, estarei eu!

Se um dia partires...
Se um dia partires, leva contigo
As flores que encantam meu caminho,
O céu azul que cobre meus versos,
A nuvem que leva meu pensamento,
As estrelas que iluminam minhas esperanças,
O vento que embala meus desejos,
A lua que reflete tua imagem!
Se um dia fores embora, leva tudo
Isto contigo, deixando no adeus
Um silencio profundo, para que
Nele soluce minh'alma cheia
De fantasias e sonhos!!!

Quando do re-encontro aludido, Sonia estava completando o curso de magistério na Escola Normal Particular Nossa Senhora da Assunção e se preparando para ingressar na Faculdade de Filosofia, Ciencias e Letras de Rio Claro. Um fato curioso ( ou teria sido notável?) foi a providência que ela tomou riscando na contra-capa do convite a observação impressa: "É favor não trazer crianças". Essa iniciativa ganhou elogios públicos feitos por Newton de A. Mello, emérito professor, poeta e compositor piracicabano, através do Jornal de Piracicaba. Ele é o autor da música "Piracicaba", considerada o hino oficial da cidade ( Ligue o som e clique aqui para ouvir a versão interpretada pela cantora Débora Letícia Batista, no CD patrocinado pela Adealq dentro do Projeto Centenário).
 

Quando estava cursando o terceiro ano, em 1964, aconteceram dois fatos marcantes: de um lado o convite para compor o quadro docente de cursinho preparatório do Centro Acadêmico “Luiz de Queiroz”- CALQ e, de outro lado, ter sido indicado pelos professores da Química como candidato a estagiário da recém-criada Cadeira de Silvicultura que estava montando uma área de Química da Madeira, sob a batuta dos Professores Helládio do Amaral Mello e Ronaldo Algodoal Guedes Pereira. O desafio era enorme em trocando os modernos laboratórios da Cadeira de Química por outro ainda em projeto e que dispunha de uma balança, algumas buretas e pipetas, um bico de Bunsen e “otras cositas más”. Mas era, sobretudo, estimulante, você colaborar para a criação de uma realidade a partir do zero. Não titubiei um segundo para aceitar o convite e mudei-me “de malas e cuia” para a nova “realidade” da qual só me afastei em 1995, quando me aposentei como professor titular.

Quando cursei a Esalq, o regime administrativo ainda estava apoiado nas "Cátedras" ( Cadeiras) e o responsável-mor era o Professor Catedrático. Conforme já relatei, a Cadeira de Silvicultura foi a 22a. a ser criada ( em 1962) e assim permaneceu até 1970 quando foram criados os departamentos e a mesma passou a se denominar Departamento de Silvicultura e, em março de 1986, renomeado para Departamento de Ciências Florestais. Voltando à "Cadeira", as contratações de docentes e funcionários eram feitas por indicação do Professor Catedrático, com ou sem seleção formal de possíveis candidatos. Em outras palavras, imperava a "vontade ou decisão soberana" do mesmo, ouvidos ou não seus assistentes. Entre os estagiários da Cadeira dois se destacavam: outro excelente colega de turma, Walter Suiter Filho, e eu. Ele na área de melhoramento e sementes florestais e eu na área de química da madeira e tecnologia de celulose e papel. Nossos esforços e dedicação foram premiados quando o Prof. Helládio, catedrático na época, nos consultou, ainda no início de 1966 se aceitaríamos o convite para integrarmos o quadro de professores assistentes a partir de 1967, após nossa graduação. Quando levei a notícia para casa foi uma comoção geral de meus pais e demais familiares, dado o prestígio que o professor da Esalq gozava na década de 1960. Aceitamos sem pestanejar ( como se dizia naqueles dias), apesar de, pessoalmente, estar com outra proposta irrecusável para ser professor do recém-criado Curso Luiz de Queiroz (CLQ), famoso curso preparatório aos vestibulares da Esalq fundamentalmente. Fiz uma "média" com meus colegas agrônomos do citado curso e permaneci como professor até ser contratado pela Esalq.
 

Como já relatado, nos anos de 1964 e 1965 já vinha me exercitando na nobre arte docente tendo sido professor ( sempre de Química, para variar!) no Curso “José Benedito de Camargo” do Centro Acadêmico “Luiz de Queiroz”, Curso Pré-Universitário do Colégio Assunção e Colégio Estadual “Jerônimo Gallo”. Neste último, Walter Suiter era professor de Física. Fanáticos pela área florestal, organizamos uma "Feira da Árvore" naquele colégio, fato noticiado no Jornal de Piracicaba de 22 de setembro de 1966. Os dois anos que permaneci como professor neste último colégio, por ser estadual, permitiu-me incorporar ao tempo de serviço na USP ( "ganhei" quase dois anos...).
 

Retornando ao ano de 1965, um colega, Paulo Henrique Sena Rebouças e eu, decidimos editar uma página agrícola quinzenal no Jornal de Piracicaba: nascia “O Jornal” Agropecuário que teve a duração de mais de um ano. Foi uma experiência gratificante pois era uma maneira de aproximar a ESALQ da comunidade piracicabana.

Naquela época o tempo já "voava" e quando menos esperava estava me formando Engenheiro Agrônomo da Turma de 1966 com diversificação em Silvicultura. Minha turma era uma das menores pois o setor florestal brasileiro, naqueles dias, ainda estava se consolidando em direção ao assombro que é hoje. Éramos oito, porém como um dos colegas resolveu aderir à diversificação na "última hora", passamos o ano nos apresentando como a turma dos "7+1" que aparecem em foto do plantio da árvore comemorativa à graduação.Como não poderia deixar de ser, a notícia da formatura foi destaque do Jornal de Piracicaba.

O convite e o quadro de formatura foram considerados os mais bonitos da década de 60. A conclusão foi unânime entre todos os colegas da turma, apesar de sermos altamente suspeitos. Ouvidos os nossos pais, veio a confirmação da certeza da afirmativa. A sessão solene da formatura e o baile foram, igualmente, deslumbrantes realizados, respectivamente, nos dias 13 e 14 de janeiro de 1967. Para fazer jus à importância das solenidades, ambos foram realizados no Salão Nobre da Escola. O baile era tão famoso que os convites eram, literalmente, "disputados a tapas". Bons tempos!!!

Como relatado anrteriormente, no início do ano de 1963 a Sonia ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciência e Letras de Rio Claro e como a duração do curso foi de 4 anos, nos formamos juntos no ano de 1966. Sua colação de grau foi em abril de 1967.

A partir de maio de 1967 iniciei minha carreira acadêmica ( ensino, pesquisa e extensão), resumida a seguir:

a) Fui admitido no Serviço Público, de acordo com a publicação no Diário Oficial do Estado de São Paulo n. 98 de 30/05/1967, para exercer na Esalq, junto à então Cadeira de Silvicultura, as funções de Instrutor, em Regime de Dedicação Integral à Docencia e à Pesquisa;

b) Em 20 de novembro de 1971, obtive o título de Doutor em Agronomia, em defesa de tese intitulada: "O uso de madeira de Eucalyptus saligna Sm. na obtenção de celulose pelo processo bissulfito-base magnésio";

c) Em 29/10/1976 prestei concurso para provimento do cargo de Professor Assistente do Departamento de Ciências Florestais, disciplina "Silvicultura Geral e Dendrologia" tendo sido aprovado e nomeado através do Diário Oficial do E.S.P., n.1 de 31/03/1977;

d) Obtive o título de Livre-Docente na disciplina "Tecnologia de Celulose e Papel" em 24/10/1979, em defesa de tese intitulada: "Estudo das características físicas, anatômicas e químicas da madeira de Pinus caribaea var. hondurensis Barr. e Golf. para produção de celulose kraft";

e) O título de Professor Adjunto foi obtido em concurso realizado em 12/03/1982 na própria Esalq;

f) Obtive o título de Professor Titular em concurso realizado em 30/09/1987, cargo que exerci até 14/12/1995 quando me aposentei. Até 2001 continuei, como professor convidado do Departamento de Ciências Florestais.

Um fato relevante logo no início da carreira profissional foi acompanhar, desde os primeiros passos, a fundação da Associação Brasileira de Celulose e Papel-ABCP ( hoje ABTCP) sendo considerado seu sócio fundador através de diploma recebido em 9 de julho de 1970.

Retornando à vida familiar, continuei o namoro com a Sonia e quando senti uma certa segurança financeira decidi pedi-la em casamento. Isso significava promover o relacionamento para noivado que se concretizou no mês de outubro de 1967. O pedido era revestido de "pompa e circunstância" como pode ser observado nas fotos anexas.

Recebido o "de acordo" de seus pais e o apoio financeiro dos meus, decidimos adquirir um apartamento ( nosso primeiro) no prédio "Prudente de Morais", apartamento 63, onde vivemos os cinco primeiros anos de casados. O edital de proclamas foi publicado no Jornal de Piracicaba em 19 de dezembro de 1967.

Por falar em casamento, a inesquecível data ocorreu nos dias 04 e 05 de janeiro de 1968. Naqueles bons tempos era comum o casamento civil se realizar um dia antes do religioso. Foi o que aconteceu: as festanças do civil começaram na residência dos meus sogros e se completaram com o religioso na Catedral de Santo Antonio, com a recepção no restaurante "Jardim da Cerveja", recém-inaugurado e ponto de encontro da sociedade piracicabana da época. A lua de mel foi inovadora, com os "pombinhos" viajando para Montevidéu e Buenos Aires. As alternativas de voo para essas capitais eram tão restritas que embarcamos em Viracopos ( inaugurado oito anos antes) num voo da Varig que vinha da Europa a exemplo de outros voos internacionais. A presença maciça de familiares no bota-fora atesta o indeditismo da viagem da lua-de-mel. O casamento, em si, teve um destaque especial na mídia impressa da época.

Com isso, passamos a fazer parte da "sociedade piracicabana" em diferentes círculos de amizade, fundamentalmentre entre os familiares e colegas de faculdade ( de turma e do corpo docente da Esalq). Desde muitos anos atrás, meu pai e meu sogro estavam envolvidos com clubes de serviço, o primeiro com o Lions e o segundo com o Rotary. Durante a juventude cheguei a frequentar, por diversas vezes, reuniões desses clubes pelos quais sempre tive especial simpatia. Disso resultou que meu nome foi lembrado, entre três dezenas de outros, como candidato ao terceiro clube rotário que estava sendo organizado em Piracicaba. Corria o mês de março de 1968 e um resumo das notícias podem ser lidas em http://www.rotarycidadealta.org.br/historia/historia.htm. No dia 28 desse mês fui admitido como sócio fundador do Rotary Club de Piracicaba-Cidade Alta e, com isso abria-se mais um círculo de amizade que estamos frequentando, Sonia e eu, há mais de quarenta anos.

No ambiente profissional passei a dar os primeiros passos como professor. Era política da época envolver os professores recém-contratados em disciplinas básicas da silvicultura independentemente da área para a qual tinha sido contratado. Assim sendo, minhas primeiras aulas versavam sobre produção de mudas de essências florestais, preparo de terreno para plantio, plantio e condução da floresta, dendrometria e inventário florestal. Somente muitos anos depois concentrei-me nas disciplinas de minha especialização e treinamento, ou seja, química da madeira e tecnologia de celulose e papel. Essa experiência foi ótima como subsídio para o futuro quando me dediquei a estudos e projetos de integração floresta-indústria.

No dia 5 de janeiro de 1969 ( exatamente um ano após o casamento) a família aumentava com o nascimento da primogênita, Renata, a primeira neta dos avós Luiz Augusto-Jamile e Acary-Aline. Foi nosso presente de aniversário de casamento. Na sequência, Luiz Fernando nasceu em 7 de abril de 1971, Viviane em 11 de novembro de 1975 e Marcia em 12 de dezembro de 1979.

Voltando a fatos relevantes de início de carreira, outro importante foi acompanhar, de perto, a criação do Instiuto de Pesquisas e Estudos Florestais-IPEF, anexo a então Cadeira de Silvicultura da Esalq do qual fui, posteriormente, diretor científico e diretor executivo, conforme será detalhado mais à frente. No dia 21 de março de 2002, foi-me concedido o título de Sócio Honorário.

Em 1 de julho de 1970 assumi a presidência do Rotary Club, depois de ter sido secretário nos dois anos anteriores. Na história do clube, fui o terceiro presidente e detalhes da gestão 1970-71 podem ser encontrados clicando-se aqui. No ano rotário de 1985-86 retornei, pela segunda vez, como presidente do clube. Da nesna forma, detalhes desta segunda gestão podem ser apreciados, clicando-se aqui. Nos anos rotários de 1989 e 1992 Sonia e eu fomos homenageados pelo Cidade Alta nos concedendo o Reconhecimento Paul Harris graças à doação de 2.000 dólares a Fundação Rotária. Em retribuição a essa gentileza do clube, nos anos seguintes doamos um toral de 5.000 dólares com reconhecimento concedidos aos nosso filhos Luiz Fernando e Viviane e aos nossos netos André, Marina e Alice. Porém, como rotariano o maior destaque foi ter sido indicado como Governador do Distrito 4310 para o ano rotário de 1998-99 e vivenciado uma das mais gratas e inesquecíveis experiências dentro da "senda do servir", jargão usual dentro do Rotary. O resumo da gestão pode ser acessado clicando-se aqui. Encerrado o ano rotário, publicamos um livreto contendo todas as mensagens proferidas nas visitas oficiais aos clubes do distrito e que pode ser baixado em PDF clicando-se aqui.

Em 24 de julho de 1986 assumi o cargo de Diretor Científico do IPEF, por indicação do Conselho do Departamento, onde permaneci até 12 de novembro de 1992, quando fui convidado para assumir o cargo de Prefeito do Campus "Luiz de Queiroz" onde permaneci até janeiro de 1995. Em 17 de outubro desse mesmo ano, passei a compor a galeria dos Ex-Prefeitos do Campus.

A Chefia do Departamento de Ciências Florestais assumi em 01 de março de 1988 onde permaneci até 12 de novembro de 1992. No período, acumulei, como já foi exposto, a Diretoria Científica do IPEF. Um dos mais relevantes destaques da gestão foi a incorporação do Horto Florestal de Itatinga e a implantação da Estação Experimental de Ciências Florestais de Itatinga. Na oportunidade da assinatura de doação, fiz um pronunciamento que resumiu toda a batalha encetada para a efetivação da doação cujas origens remontou ao ano de 1974 através de solicitação encaminhada a USP pelo Professor Helládio, na época chefe do Departamento de Silvicultura. Recentemente montei um vídeo ( bem amador!) baseado em fotos da época da posse, após as primeiras reformas e no mês de dezembro de 2008. Ligue o som e clique aqui.

Antes da aposentadoria em novembro de 1995 tive duas gratas surpresas ( a par do nascimento do primeiro neto, André, em 03 de junho): a primeira delas foi o Prêmio Moinho Santista ( hoje Prêmio Bunge) em 30 de novembro de 1994 e o Título de Cidadão Piracicabano em 01 de agosto de 1995.

Após a aposentadoria outras duas surpresas. A primeira em novembro de 1966 com o recebimento do Prêmio Hopes for the Future of a Sustainable World e a Moção de Júbilo do Câmara de Vereadores de Piracicaba. A segunda referente ao Diploma de Mérito Científico concedido em 02 de junho de 2001, a professores da Esalq, por ocasião das comerações de seu centenário.

Como relatado anteriormente, me aposentei em 1995, porém permaneci como professor convidado do próprio Departamento de Ciências Florestais até o ano de 2001, quando decidi "cuidar dos netos" como todo bom avô.

Durou pouco essa decisão, com o convite feito no início de 2004 para retonar ao IPEF, na oportunidade como Diretor Executivo, mandato inciado em 28 de abril de 2004, onde permaneci até o dia 28 de abril de 2016.

Há um axioma que diz que a "memória é curta". Tenho um exemplo que contraria esse dito. Quando das comemorações dos 40 anos do IPEF, em 25 de abril de 2008, decidiu-se incluir entre as festividades o inauguração das novas instalações do Laboratório de Química, Celulose e Energia do Departamento de Ciências Florestais, reforma patrocinada pela Vorantim Celulose e Papel. baseando-se nas origens dos idos de 1964, a colaboração emprestada na sua implantação e condução compartilhada até minha aposentadoria, meus amigos houveram por bem "batizá-lo" com o meu nome, apesar de meu voto contra e protestos. Na oportuidade me manifestei através da seguinte mensagem:

"É comum depararmos com pessoas que se declaram “vítimas das circunstâncias”. Agradeço a Deus por poder considerar-me uma exceção ou como exemplo de “privilegiado pelas circunstâncias”.

Por isso sou agradecido.

Em primeiro lugar pelo fato de meu avô paterno, ainda menino, imigrar da Itália e começar sua vida em terras brasileiras segurando um cabo de enxada e carpindo café. Muitos anos depois, muitos sóis e suores depois, no fim de sua vida era um importante comerciante em Rio das Pedras, minha terra natal.

Meu pai, ao lado de 10 irmãos, transformou aquele humilde cabo de enxada de madeira num mastro tendo no topo a bandeira do empreendedorismo ( quando essa palavra ainda nem existia na década de 50). Líder nato ao nível familiar, profissional e social aposentou-se como um destacado industrial na área sucro-alcooleira de nosso estado e de nosso país.

Por isso sou agradecido.

Em segundo lugar ao Mestre Helládio do Amaral Mello, dotado do incrível dom de transformar idéias em ideais, ideais em realizações. De uma forma instantânea e altamente contagiosa. Privilégio dos líderes predestinados. Uma aula de silvicultura se transforma numa disciplina. Uma disciplina se transmuta numa Cadeira que, num passe de mágica, se transfigura num Departamento, hoje de Ciências Florestais. Cursos de graduação em em Engenharia Florestal e curso de pós-graduação em Recursos Florestais. Anhembi e Itatinga, latifúndios sagrados e admirados da USP. Uma utópica integração universidade-empresa, dos anos 60, se materializa no Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais.

Por isso sou agradecido.

Em terceiro lugar, ao Mestre Ronaldo Algodoal Guedes Pereira que, visionário, no fim da década de 50 já previa a posição de destaque que o Brasil ocuparia, décadas depois, na silvicultura de florestas plantadas e na produção e exportação de celulose de eucalipto. Sua fé, sua dedicação, seu entusiasmo chegava ao aparente cúmulo, na época, de afirmar que o engenheiro agrônomo ocuparia lugar de destaque no cenário da indústria de celulose e papel de nosso país. Agrônomos, de antigamente, engenheiros florestais dos dias atuais confirmam sua premonição.

Por isso tudo sou agradecido.

Como os senhores puderam verificar, tive excelentes professores. Meu único mérito foi ter sido um aplicado aluno e, confesso, os tempos se passaram e nunca virei professor. Consegui iludir a todos e após 30 anos de uma disfarçada carreira docente, continuei sempre um aluno dedicado e atento.

Só mudei o ângulo de visão: passei a aprender com uma plêiade de jovens... passei a aprender com futuros profissionais que a academia denomina como alunos.

Por isso, sou agradecido a eles. Muitos e muitos, inadvertidamente me agradecem. Outros homenageiam. Nada mais impróprio. Nunca devemos agradecer ou homenagear a alguém “privilegiado pelas circunstâncias”.

São tantos ....

Daí porque me rebelei contra esta homenagem. Lamento informar-lhes que, por pura incompetência, não consegui reunir argumentos suficientes para convencer os amigos e colegas, Francides e José Maria da impropriedade desta homenagem.

Apesar de tudo, sou agradecido a eles porque, em última instância, eles me deram esta oportunidade de homenagear meus familiares e mestres e aos meus outros professores que, talvez, permanecem na ilusão de que foram meus discípulos.

Grato a todos vocês".

Outro ditado diz que "todo homem deve plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro". No ano da graça de 2008, conclui a missão ( com folga nos dois primeiros qesitos), sendo co-autor de dois livros dentro de minha especialidade: o primeiro patrocinado pela Duratex e o segundo patrocinado pela VCP.

A história deve continuar... porém, antes de "dar uma pausa", gostaria de apresentar minha árvore genealógica e uma das fotos na qual pudemos reunir a família toda durante um cruzeiro, em janeiro de 2008, comemorativo aos 40 anos de casados.

Até breve.

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