A FAVOR OU CONTRA
"Entre
outras disciplinas, no Curso de Engenharia Florestal, fui responsável
por muitos anos pela Tecnologia de Celulose e Papel. No final da década
de 1980, as empresas de celulose, notadamente as de sulfato, começaram
a tomar medidas consistentes para minimizar os efeitos nocivos nos
cursos d'água e no ar.
No
entanto, a poluição hídrica e atmosférica ainda era alvo de protestos
de comunidades, ONGs e do meio universitário, principalmente dos
alunos. Inclusive, o perfil dos estudantes do Curso começava a mudar,
com o aumento de ambientalistas em relação aos silvicultores.
A turma, com cerca de quarenta alunos, era dividida na sala, em
dois blocos de vinte, à esquerda e à direita. Uma pesquisa realizada na
primeira aula revelou um panorama dos alunos "a favor ou contra" a
indústria de celulose e papel no Brasil. Curiosamente, os alunos não se
organizavam em blocos, mas se sentavam misturados, independentemente de
serem simpáticos ou não à disciplina.
No
meio do curso, em uma aula, surpreendi a todos com um desafio:
encontrar os pontos positivos e negativos da atividade no Brasil. A
separação foi geográfica: turma da direita, a favor; turma da esquerda,
contra.
Houve
um clamor geral! "Professor, mas eu sou contra, como vou argumentar a
favor?" "Professor, mas eu sou a favor, como vou me posicionar contra?"
"Não
interessa! No exercício da profissão, cada um tem que defender sua
posição, prevendo a posição do adversário. É uma questão de
sobrevivência!" Aceitaram a argumentação do professor, e o desempenho
das turmas foi exemplar. Que pena que não foi possível gravar um vídeo!"
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