FOLHAS NO ASFALTO
Mais uma reminiscência do tempo em que fui Prefeito do Campus Luiz de Queiroz.
Recebia,
com frequência, a visita de professores dos departamentos da Esalq para
tratar dos mais diversos assuntos, fazer solicitações e, por vezes,
apresentar reclamações.
Em
certa ocasião, um professor que utilizava o parque diariamente para
suas caminhadas veio até mim para registrar uma queixa: as alamedas
asfaltadas estavam muito sujas por conta das folhas das árvores. Sua
sugestão foi aumentar a frequência da varrição pelos funcionários, seja
com pagamento de horas extras, seja com a contratação de mais mão de
obra.
Ambas
as alternativas, no entanto, eram inviáveis devido às restrições
orçamentárias então vigentes. Apesar de aborrecido, prometi
educadamente analisar o caso — e, sinceramente, não voltei a pensar no
assunto. Considerava natural, numa escola de agronomia situada num
parque com árvores tão frondosas, que a limpeza não tivesse o mesmo
rigor das ruas urbanas, onde a obstrução das folhas pode causar
problemas no escoamento da água da chuva.
Dias depois, o mesmo professor voltou a me procurar, repetindo a cobrança e solicitando providências.
Sem
uma resposta pronta, improvisei: disse que havia chegado à conclusão de
que a melhor solução seria remover o asfalto — e que seria até bucólico
caminhar sobre as folhas, como numa trilha de floresta.
O professor, demonstrando certa contrariedade, despediu-se incontinente. Nunca mais voltou a tocar no assunto.