MINHAS ORIENTADAS
Dentre meus orientados, cinco eram engenheiras
florestais, fato que evidenciava a crescente participação feminina em uma
profissão antes predominantemente masculina. Notavelmente, elas demonstravam
dedicação e motivação excepcionais, apesar das perspectivas futuras incertas,
especialmente no que tange à atuação em empresas de celulose e papel, cujos
campos eram tradicionalmente restritos a engenheiros químicos.
Duas de minhas orientadas realizaram a etapa
experimental de suas pesquisas nos laboratórios da Aracruz Celulose (posteriormente
Fibria e, atualmente, Suzano), entre 1980 e 1990, principal exportadora de
celulose sulfato branqueada de eucalipto na época.
Ambas contaram com o valioso apoio científico de
engenheiros da empresa, portadores de título de doutor. Devido à exigência de
frequência nas aulas de pós-graduação, os trabalhos foram desenvolvidos durante
as férias escolares de julho e dezembro-fevereiro. É importante ressaltar que
todas as despesas de deslocamento e permanência foram integralmente custeadas
pela empresa.
Um episódio digno de registro ocorreu com a primeira
delas. Os resultados de sua pesquisa mostraram-se tão promissores que a empresa
decidiu utilizá-los em materiais de divulgação das qualidades da celulose
branqueada de eucalipto em eventos técnicos na Europa. Para tanto, seu
coorientador, engenheiro da empresa, consultou-me sobre a necessidade de
autorização, considerando o possível impacto sobre a dissertação a ser
defendida.
Como a dissertação não precisava ser totalmente
inédita no momento da defesa, concedemos a autorização. Felizmente, o material
utilizado no evento técnico da empresa, com excelentes resultados, não entrou
em conflito com a dissertação, que foi defendida em dezembro de 1986.
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